Palavra Pastoral

A OVELHA E A DRACMA PERDIDA

(Estudo feito pelo Pr Edivan para a 4ª lição da EBD)

 Sem duvida ao analisar a vida de Jesus inquestionavelmente vemos Nele a essência de um Deus, não só pela riqueza do Seu amor, mas também pelos inúmeros ensinamentos que até hoje servem de base para milhares de pessoas espalhadas por todo mundo.

As parábolas fazem parte dessas pérolas, uma riqueza infinita de pensamentos que adentram a essência do homem e nos permite entender quão maravilhosas são as riquezas espirituais.(1Co 2.9)

Nesta lição estudaremos um porção dessas parábolas, e nessa caminhada que o Espirito Santo seja nosso companheiro e nos dê o real entendimento, a essência do ensino do nosso Mestre, para que possamos desfrutar e vivenciar cada uma das verdades nelas contida. Boa lição.

 

O QUE SÃO PARÁBOLAS?

São estórias que facilitam a interpretação de determinado assunto, ou seja, é a simplificação de uma verdade existente. Baseados nisso compreendemos que os personagens são fictícios, porem a verdade ensinada é fundamentada em algo real. Partindo desse principio podemos afirmar, por exemplo, que o pai e os filhos da parábola do filho pródigo não existiram, são figuras representativas de Deus, pecadores e legalistas.

A maioria dos profetas fazia uso desse método(1Sm 12.1-5; Ez 17.1-10), porem ele ficou mais famoso por ter sido aplicado por Jesus. Torna-se cativante por trazer implicitamente a realidade de cada pessoa, as verdades teológicas sofisticadas demais para a mente humana são facilmente perceptíveis quando utilizamos a parábola como instrumento facilitador. Embora que naquela época, muitas dessas verdades ficaram incompreendidas pela dureza do coração, ou pelos paradigmas impostos pelo legalismo, que ainda são empecilhos à compreensão da verdade.

 

O CONFLITO MORAL

As duas parábolas que estudamos, foram proferidas porque os fariseus e os escribas recriminaram o Senhor, pois o seu ministério era muito atraente, alem da misericórdia, as suas palavras enchiam de esperança e cativava as pessoas, com isso muitos publicanos, e gente de má fama (Lc 15.1 NTLH) se chegavam a Ele e ficavam a seus pés. Aprendi desde cedo que a melhor forma de entender alguém é se colocar no lugar dele. Imagine se você visse seu pastor conversando com traficantes? Ou ainda com prostitutas? Ou ainda pessoas encrenqueiras? Mesmo depois de séculos ainda receamos ser vistos com gente de má fama. Vale à pena lembrar que os fariseus e os escribas eram referenciais espirituais daquela época, eram formadores de opinião. E o simples fato de beber água no copo de um pecador, segundo eles, já contaminava a pessoa (Lc 11.39). Imagine então comer juntos?

Entretanto a missão de Jesus era justamente quebrar o pensamento convencional e atrair a atenção do pecador para a mensagem de libertação e arrependimento, por isso Ele fez questão de vencer os conflitos morais daquela época, pois os mesmos só pioravam o estado do pecador. Como uma mulher que se prostituia há anos, porem ao envelhecer, seu corpo já não rendia o mesmo faturamento, decidiu então prostituir a filha criança para satisfazer o desejo de pervertidos, trazendo com isso enorme remorso e ao ser aconselhada a ir para uma igreja a resposta dela foi a seguinte: “Igreja? já me sinto terrível o suficiente. Eles vão fazer que eu me sinta ainda pior”

Sempre que pregamos o evangelho aos pecadores devemos estar prontos para esses conflitos e como Jesus vencê-los, pois há muitas histórias semelhantes a essa na sua cidade, ou quem sabe próxima a sua igreja. E em alguns casos muitos tem tido posições legalistas e fúteis e com isso afugentado muitas pessoas da Igreja. Não estou defendo a libertinagem, pelo contrário sou amante da doutrina, mas o extremismo exacerbado tem tornado muitos cristãos legalistas presos a dogmas e conceitos humanos. (Gl 3.3)

 

UMA OVELHA VALE MAIS QUE NOVENTA E NOVE? v.v. 3-7

Alguns céticos fazem a interpretação errada desse texto, eles questionam o fato de que o Pastor deixa as outras ovelhas e parte em busca da que se havia perdido por valorizá-la mais, porém a história nos mostra que essa versão não tem fundamento. Naquela época os pastores tinham uma função no mínimo complexa, alimentar o rebanho numa região inóspita e alem disso protegê-lo de perigos eminentes como predadores e inimigos naturais. Isso obrigava o Pastor a procurar lugares distantes onde o pasto existia, fazendo com que o rebanho andasse quilômetros longe de casa, com isso tinham de montar acampamento em vários lugares. Esses acampamentos eram precários e para proteger o rebanho ele montava um curral com pedras, chamado aprisco, o fazia em forma de circulo e como não havia porta, o pastor dormia numa única abertura, se algum lobo cobiçasse seu rebanho tinha que passar por ele (Jo 10.1,7,8). Com sua vida ele protegia TODAS as ovelhas. Esse convívio trazia um elo de afetividade do pastor com seu rebanho, a maioria nominava suas ovelhas com as características físicas ou de personalidade.

Assim entendemos que embora fossem parecidas cada uma das ovelhas era única para seu pastor, e totalmente dependente dele. Nessa analogia entendemos quão preciosos somos para o Senhor, pois somos Seu rebanho, embora sejamos parecidos somos singulares para nosso criador e não importa o tamanho do rebanho Ele sempre te chamará pelo nome. (Is 43.1)

O que Jesus destaca aqui é a importância de se recuperar o que havia se perdido (Lc 19.10) sem esquecer porem das ovelhas que permanecem no aprisco. Entretanto a alegria de recuperar aquela que havia se perdido é superior, pois é como se aquela ovelha morresse e voltasse a viver, é como uma mãe que tem dez filhos e vê um deles ser curado de um câncer. Imagine a festa dela ao receber o exame diagnosticando a saúde de seu filho. Isso não quer dizer que não ame os demais, mas naquele momento a situação de restauração trouxe muito mais alegria.

 

PROCURANDO ALGO VALIOSO v.v. 8-10

Por ser uma moeda corrente da época, Jesus utiliza a dracma como símbolo de algo mais próximo dos habitantes “urbanos” daquela cidade. Eram cunhadas, ou seja, feitas de forma artesanal tornando cada uma delas única, isso significa que, mesmo sendo parecidas as moedas tinham detalhes que as particularizavam.

O valor de cambio dessas moedas de prata era equivalente a um dia de trabalho braçal. Um valor considerável para qualquer ouvinte da época de Jesus. Com certeza, o ideal da parábola é forçar o ouvinte a colocar-se no lugar da mulher, ao perder um bem valioso. Quando a mesma ao perceber a perda toma atitudes coerentes e coordenadas para reencontrar o que havia perdido.

  1. Acende a Candeia – As casas naquela época não eram tão iluminadas, havia somente uma porta e uma pequena abertura para ventilação, o que deixava o ambiente sombrio, somando-se também a isso os utensílios domésticos utilizados pelas mulheres para seus afazeres, tecidos, pequenos troncos de madeira, vasilhas, etc. Num ambiente desses com certeza a luz foi muito bem vinda, por assim sabermos que a escuridão dificulta a nossa visão, o que facilita a perda de objetos. Note que sua primeira ação foi trazer luz para dentro de casa, o que facilitaria as outras ações, é uma seqüência que tem que ser respeitada. Por isso entendemos que ao executar o plano da salvação do homem, isto é, para achar o homem perdido, Deus primeiramente lançou luz sobre um mundo em trevas (Is 9.2 - Jo 8.12).
  2. Varre a casa – Uma vez iluminada, foi possível para aquela mulher vislumbrar como realmente estava sua casa, ela percebeu que era necessário organizar e limpar. Então ela começa a colocar tudo no seu devido lugar, pois depois disso com certeza seria encontrado o bem que se perdeu. Ao se encarnar, Jesus trouxe luz sobre os mais variados questionamentos da humanidade, o ideal de Deus não era somente o cumprimento literal da lei, mas o sentido na verdade era conduzir o homem a Deus (Gl 3.24,25), através de uma conduta que os diferenciaria dos demais povos da época. A atitude dos lideres religiosos na verdade estava dificultando essa relação, distanciando o homem de Deus, externando nos homens uma das características mais avassaladoras do pecado, a autopunição (fazendo com que os homens pensassem: “uma vez que não sou merecedor, para que me relacionar com esse Deus?”). Ao “varrer” esses paradigmas Jesus iniciou o processo de valorização daqueles que estavam achando-se impuros possibilitando o arrependimento e conseqüentemente a salvação. (Lc 19.10)
  3. Procura até encontrar – A perseverança da mulher é um marco nesse verso, após deixar sua casa propícia para encontrar, agora ela inicia uma busca minuciosa a procura do seu bem precioso, e não para até tê-la em suas mãos. A Biblia é um livro de amor, de Genesis a Apocalipse narra a história de um Deus que deseja ser amado pelos homens, e não poupa esforços para que isso aconteça. Em várias passagens Deus é comparado ao Pai abandonado (Lc 15.10,11), o marido trocado pelas falácias do amante (Os 3.1), e sente a dor de encontrar rejeição em retribuição pelo amor investido. Todavia, nada disso afasta nosso Senhor na busca incansável pelas nossas vidas. Numa intensa procura, Ele nos ama ardentemente e não mede esforços para que esse amor seja recíproco. E a celebração ao achar finalmente esse amor será compartilhado com os seres celestiais que O assistem constantemente.

 

DUAS PARÁBOLAS, UM SENTIDO

Embora sejam estórias diferentes, as parábolas deste capítulo trazem o mesmo sentido, a importância de recuperar o homem, coroa da criação de Deus. Ambas se desenrolam mostrando aos ouvintes que é necessário buscar os que estão fora sem, no entanto esquecer os que já estão dentro. O sentido das parábolas é claro ao mostrar que Jesus também se importava com os religiosos, com aqueles que na época eram lideres do povo, tanto que Ele combateu a posição de cada um deles, pois estavam deturpadas pela cobiça dos homens. Se Jesus os odiasse não receberia Nicodemos que era Fariseu e membro do Sinédrio (Jo 3.1), não teria travado longos debates a cerca da lei e não teria sentado-se a mesa de um deles (Lc 7.36). Deus não faz acepção de pessoas, mas de ações, Ele não odeia o pecador, mas o pecado que ele pratica. Isso fica muito claro na parábola do filho pródigo que você estudará mais adiante, a figura clara de Deus (Pai), o filho mais novo (pecadores) e o filho mais velho (lideres religiosos). Os religiosos não suportavam a idéia de viver uma vida completamente devotada a Deus, mesmo que pelos motivos errados, e ser comparado a uma mulher de má fama que se arrependeu (Lc 7.47), ou um publicano que decidiu se converter (Lc 19.9). E esse ponto é crucial, alegrar-se com a conversão de alguém que nos prejudicou, ou em um dado momento da vida nos humilhou não é fácil, mas é necessário.

 

CONCLUSÃO

O desejo mais profundo do Senhor com certeza é trazer as ovelhas perdidas de volta para o aprisco. E cada dia, Ele pacientemente busca aquela que aderiu aos encantos do mundo para trazê-la de volta, e ainda busca aquelas que ainda nem entraram no Seu aprisco. Talvez você que lê esta lição seja uma dessas ovelhas, talvez no íntimo sua alma clame por Deus, não se preocupe Ele te conhece. E tal com uma Dracma valiosa Ele tem cuidado de você, e não importa onde você esteja. Ele te encontrará e no momento oportuno não haverá mais sofrimento nem lágrimas, pertenceremos ao mesmo rebanho e seremos guardados e protegidos pelo Sumo Pastor das nossas almas.